Policial a serviço da Alesc realiza trabalho voluntário em Moçambique

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Quem entra no Palácio Barriga Verde e se depara com a policial Santina Campagnholo, não imagina que a profissional, que há 22 anos atua nos serviços de recepção e segurança da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, também se destaca pelo trabalho de voluntariado que realiza no distante continente africano.

Natural de Joaçaba, Santina fez parte do primeiro grupo de mulheres que se formaram no curso de Cabo promovido no ano de 1984 pela Polícia Militar de Santa Catarina. Por ter judô em seu currículo, nos anos seguintes participou da instrução de defesa pessoal para alunas de outros cursos de formação.

Atualmente com 59 anos e no posto de 3º Sargento, ela conta que a ligação com a África teve início em 2010, ano em que foi diagnosticada com câncer de colo de útero. Sua médica, que atuava no programa Médicos Sem Fronteiras, desenvolvido pela Organização das Nações Unidas, a colocou em contato com as comunidades carentes de Moçambique, país africano de 31 milhões de habitantes, cujo idioma oficial também é o português.

A primeira viagem para lá aconteceu já em 2013, para a cidade de Nampula, onde foi para conversar com um grupo de 450 mulheres, sobre medicina tradicional. Pouco tempo depois, sua médica sofreu um acidente de trânsito e veio a falecer, mas a motivação em tomar parte no trabalho filantrópico permaneceu. Nesta ocasião, foi para outra cidade, Maputo, onde teve o suporte de amigos médicos. “Em 2014 senti vontade de ir sozinha porque a situação daquelas pessoas me comoveu muito e senti que esse caminho que tinha sido aberto possuía algum significado.”

Mas ela afirma que não foi somente a preocupação social que a motivou a prosseguir, pelos anos seguintes, com as viagens e a conhecer a realidade de diversas regiões de Moçambique.  “Eu fiquei apaixonada por tudo o que eu vi lá, principalmente por aquele povo. Adoro estar lá.”

Entre as diversas amizades que fez no país, conta, está Pedro Quembo, coordenador do projeto Crianças da Água Viva. A iniciativa busca oferecer assistência alimentar e escolar para crianças abandonadas, órfãs, ou filhas de pais com doenças debilitantes, na cidade de Tete. “Fui conhecer o projeto e gostei. Decidi que tinha que fazer alguma coisa.”

Atualmente as crianças são justamente um dos principais focos das idas de Santina ao país africano. Em cada oportunidade são levadas três malas, de 23 kg cada, repletas de brinquedos como bolas de futebol e bonecas. “Agora tenho uma família lá, que é gigante”, diz.

Aproveitando o maior poder de compra do Real em relação ao Metical, a moeda moçambicana, ela também adquire localmente materiais escolares como lápis, borrachas, cadernos e livros, que repassa às crianças. Todas as viagens e donativos são custeados com recursos próprios, complementados com dinheiro obtido por meio da venda de bolos e cucas.

Ela conta, orgulhosa, que já são visíveis os resultados das ações realizadas. “Tem criança que conheci em 2017, que é cria do projeto, e que hoje já está cursando o equivalente ao nosso ensino médio.”

Ajuda na infraestrutura
Apesar de manter contato com diversas cidades de Moçambique, é em Maputo que Santina costuma atuar. Mesmo sendo a capital de um país dotado de recursos naturais valorizados, como gás e petróleo, a cidade possui comunidades muito carentes, com habitações precárias e infraestrutura de saneamento quase inexistente.

Em vista disso, Santina afirma que também procura atender, dentro das suas possibilidades, pedidos da população local, como a compra de um motor para puxar água de um rio.

Uma das suas maiores vitórias, entretanto, é o auxílio que vem conseguindo prestar em Maputo por meio de uma OnG (organização não governamental) suíça, com quem estabeleceu contato. A entidade, que desenvolve o projeto Aldeia das Crianças, disponibiliza cestas básicas e material de construção para creches, orfanatos e comunidades carentes. “Isso foi um achado. Nunca achei que conseguiria algo assim. Foi uma grande conquista.”

Foi com emoção também que Santina falou sobre a retomada, em maio deste ano, das viagens ao continente africano após um lapso de três anos em função da pandemia de Covid-19. “Foi muito bom, eu me senti muito feliz. E eu sempre sou um ser humano melhor cada vez que vou para lá. Mesmo depois que eu volto, fico muito feliz em saber que eu contribuí para melhorar a vida daquelas pessoas, mesmo que seja um pouquinho só.”

Fonte: Agência ALESC