Jogadora e auxiliar dão aulas de Futsal para meninos e meninas no Bairro Educador


Luci Alves ensina o passe, a conduzir a bola. A aula faz parte dos ensinamentos básicos do futsal, da oficina do mesmo nome, do  Bairro Educador, no Morro da Mariquinha, programa coordenado pela Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis.  A chuva do dia anterior impossibilitou a aula em quadra. O jeito foi ir para sala de lutas e passar os conhecimentos sobre a modalidade esportiva.
 Atentos estão Kauâ Vinícius da Silva, 9 anos; Kaike Sansão e  Eloá Vitória, ambos de 10 anos. Os três fazem parte dos 25 alunos distribuídos em duas turmas no período da manhã e à noite,  às terças e quintas-feiras. 
Os ensinamos vão além dos fundamentos do futsal . “Nas aulas, busca-se fortalecer as habilidades motoras, afetivas e cognitivas do aluno, o respeito e consideração pelo adversário”, esclarece a oficineira Luci.
 
Segundo ela, moradora da Mariquinha, a experiência que está vivendo com o bairro Educador é algo extraordinário.  
“Procuro passar para as turmas o que a prendi com o esporte com base em experiências em diversos campeonatos que disputei como Jogos Abertos de Santa Catarina (Jasc) e Olimpíada Estudantil Catarinense (Olesc)”, revela.
 
Na aula, Kaique, Cauã e Eloá seguem à risca os ensinamentos de Luci e sua auxiliar Larissa Goulart e se dizem satisfeitos com a aprendizagem. 
“Eu gosto da aula porque aprendo a jogar, a driblar para quem sabe um dia eu possa ser um jogador profissional”, sonha Cauã. “Aqui eu aprendo muito. A professora me ensina a passar a bola, a driblar e a fazer o gol”, complementa Kaíque. “Nas aulas estou aprendendo a conduzir a bola e a fazer o passe e estou gostando das aulas”, finaliza Eloá.
Além do futsal o programa Bairro educador  oferece na sede Mariquinha as oficinas de apoio pedagógico, boi de mamão, capoeira, dança hip-hop, Jiu-jitsu, surf, violão ,  percussão, ginástica funcional,  dança zumba e fotografia.
 
A dupla: batendo um bolão
Atualmente com 21  anos de idade, Luci Alves teve contato com o futsal aos 10 anos dentro do Projeto Social Ingevix, que desenvolvia na Rua Major Costa, no Centro de Florianópolis, diversas oficinas pedagógicas no contraturno escolar destinadas à crianças carentes da Capital. Dentre o voleibol, capoeira,  música e apoio pedagógico Luci logo escolheu participar do futsal, realizando um sonho acalentado há muito tempo.
Na escolinha de futsal começou a se destacar e chamou a  atenção do seu professor Rogério Júlios, que a orientou a mudar, no futuro, para uma escolinha de futsal mais profissional. Dois anos depois de Ingevix, Luci se matriculou na Escolinha de Futsal do Instituto Estadual de Educação (IEE), após efetuar transferência como aluna da Escola Estadual Lauro Muller para o IEE.
Assim como na Ingevix, Luci continuou a se destacar no novo ambiente nas posições de ala e central e rapidamente foi convocada para representar Florianópolis em campeonatos estaduais como Olimpíada Estudantil Catarinense (Olesc), Joguinhos Abertos de Santa Catarina e Jogos Abertos de Santa Catarina (Jasc) e campeonato estadual sub-17.
Em 2017, jogando uma Olesc por Florianópolis, chamou a atenção de dirigentes de Balneário Camboriú, que não pensaram duas vezes em contratá-la. “Foram dois anos de uma experiência incrível”, revela Luci, que atualmente é atleta de futebol-7 do Chelsea do município de Palhoça.
Luci relata que em maio de 2021  conheceu o Projeto Social Cidades Invisíveis, no Morro da Mariquinha, e passou a atuar como  voluntária na oficina de futsal a convite do coordenador local Alex Correia. Sua  atuação agradou a coordenação e aos alunos e com a reestruturação do Programa Bairro Educador na comunidade, em 2021, foi convidada a assumir como oficineira.
Na oficina de futsal do Bairro Educador Luci é auxiliada por Larissa Goulart, de 22 anos. As duas se conheceram ainda criança no Projeto Ingevix e participaram juntas do Projeto Cidades Invisíveis no Morro da Mariquinha. Larissa diz que ao contrário de Luci, não enveredou para o lado profissional do futsal, atuando no esporte apenas como lazer. 
“Aqui eu e a Luci temos o respeito e o apoio de todos. As mulheres estão ganhando espaço como treinadoras de futsal”, destaca Larissa. 
“Antes o futsal era comandado por homens, hoje também pelas mulheres. No início alguns até se surpreenderam por eu ser tão nova e passar ensinamentos como professora para a garotada,  mas hoje não há estranhamento por eu ser mulher  e ser oficineira  de futsal no Programa Bairro Educador“, finaliza Luci Alves.

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