Bernardete Merino transforma cerâmica em arte


Mais do que uma exposição onde os potenciais plásticos e expressivos da cerâmica são explorados, “A pele que nos une” reconcilia sob a diversidade de suas peças as tantas diásporas contemporâneas de cor, língua, etnia, raça e origem. Os trabalhos de Bernardete Merino fazem parte da 2ª Temporada de Exposições do Museu de Arte de Blumenau (MAB), que abre ao público na próxima quinta-feira, dia 14 de outubro, às 19h, com a tradicional conversa com os artistas.

A temporada de exposições contará ainda com as mostras TransformAção, de Belíria Boni, O silêncio da música, de Lolita Mello, e Travessias de Naira Pennachi. As visitas podem ser feitas até 15 de novembro, de terça-feira a sexta-feira, das 10h às 16h. O acesso às salas do MAB deve respeitar os cuidados sanitários adotados para o período de pandemia.

Uma parada para ver os trabalhos de Bernardete Merino é recomendada. “A partir do conceito de ancestralidade, Bernardete conduz nosso raciocínio ao pó primitivo que faz a terra, o vaso, o corpo e a estrela e nos encaixa a todos no fluxo de uma história comum feita de ficções e fatos, de lendas e evidências, de impressões e cicatrizes”, diz o Jornalista, curador e coordenador do Laboratório de Arte, Gleber Pieniz. “Na série Adão e Eva, a pele que nos une ao princípio é traduzida nos termos do Gênesis, onde um riquíssimo acervo visual se desdobra desde a história da arte como a narrativa do casal original criado pelo Divino e banido da Terra por pecado. Suas 15 formas regulares, repetitivas e de planura quase didática opõem-se às narrativas politeístas.”

Ambas as séries praticamente ignoram a tradição da cerâmica como modelagem funcional ou como instrumento prático útil ao cotidiano para assumirem-se plenas, como superfície expressiva, campo onde se marcam as posses, onde se contabilizam os conteúdos ou, como no caso de Bernardete Merino, onde se contam histórias. “O inverso se verifica na série Cabeças: suas 12 peças celebram a plasticidade que a argila tem de perpetuar o gesto individual, a memória do toque único que cada artista dedica à singularidade da arte e, nesse esforço particular, flagrar as diferenças de carne, cultura e temperamento que nos fazem comuns”, escreve Gleber. “Há na peculiaridade de cada um desses trabalhos a marca indelével de um tempo fugidio, vagas sugestões de procedência, rumores de sotaques e dialetos captados não pelos ouvidos, mas pelo olhar atento do público.”

Já em Peles brasileiras, a artista dialoga abertamente com Di Cavalcanti e colore suas Vênus com os diversos tons que o povo brasileiro reconhece como seus: aqui, vasos e discos cerâmicos tentam dar padrão a uma complexa palheta de cores que a frieza da estatística é capaz de mensurar, mas que somente o calor da miscigenação torna humana, real, tão familiar quanto universal.

Sobre a artista

Bernardete Merino nasceu em São Paulo, capital, e atualmente trabalha e vive em Joinville. Sua arte e pesquisa são motivadas pelo profundo interesse nos processos culturais, artísticos e civilizatórios da humanidade, pretendendo ativar, através de suas obras as memórias, sentimentos e conhecimentos ancestrais; contar histórias em novos formatos artísticos e fomentar a curiosidade pública.

Serviço

Abertura da 2ª Temporada de Exposições no MAB – ano 2021

Data: quinta-feira, dia 14 de outubro

Horários:

19h: abertura

19h30: visita mediada às exposições e lançamento do livro a Lua de Abril e outros haicais, de Terezinha Manczak

20h: conversa com artistas convidados

Visitas: até 15 de novembro, de terça-feira a sexta-feira, das 10h às 16h

Visitas mediadas: podem ser marcadas pelo telefone 3381-6176

Classificação indicativa de idade: Livre

Entrada franca

Atenção: os protocolos de prevenção à propagação do Coronavirus – Covid 19 deverão ser obedecidos, sendo necessário uso de máscara, álcool gel e distanciamento social

Assessor de Comunicação: Sérgio Antonello

postada em 08/10/2021 15:00 – 13 visualizações

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