Fibromialgia é tema de debate na Assembleia Legislativa


A Comissão de Saúde debateu na manhã desta quarta-feira (1º) ações de apoio à pessoa com fibromialgia. A iniciativa foi proposta e coordenada pelo presidente da Comissão de Saúde, deputado Neodi Saretta (PT). 

A fibromialgia é uma síndrome que causa múltiplos pontos de dor por todo o corpo. Associado ao quadro de dor, apresenta manifestações de cansaço, depressão, ansiedade e alterações intestinais. A boa notícia é que a fibromialgia tem tratamento e todos esses sintomas podem ser controlados e a qualidade de vida restabelecida. A doença pode estar acometendo cerca de 5% da população mundial e é mais frequente em mulheres.

Encaminhamentos
A reunião apontou várias iniciativas, entre elas, que a Secretaria de Estado da Saúde faça cursos por macrorregiões para formação de profissionais no atendimento ao paciente com fibromialgia.

Também foi sugerido a criação do Fórum para prevenção, apoio e tratamento da fibromialgia. Além disso, que o Estado ofereça serviços para diagnóstico e tratamento da doença e a inclusão dos pacientes com fibromialgia como prioridade na fila de tratamento.

De acordo com o deputado Neodi Saretta, foi proposta a criação de parcerias do Estado com clínicas de reabilitação, já que os centros de reabilitação ficam distantes da maioria das cidades. “Igualmente foi proposta a capacitação das equipes de saúde, dos familiares e toda a rede de convivência da pessoa com fibromialgia”.

Depoimentos
A dirigente do grupo Fibromialgia de Concórdia e região, Maristela Schwingel, agradeceu os deputados e o governo do Estado pela implantação da lei, mas espera que aconteçam mais avanços. “Precisamos levar aos municípios esse debate. Muitas pessoas não sabem o que é fibromialgia. É importante fazer com que a lei estadual implantada seja cumprida”.

O médico reumatologista, Thiago dos Santos, entende que a população tem pouca noção sobre a fibromialgia. Segundo ele, trata-se de uma doença crônica que apresenta muitas dores pelo corpo.
“O paciente já acorda com cansaço e o tratamento deve ser multidisciplinar com uma participação ativa do paciente. Além disso, aliado com medicamentos, terapias, atividades físicas coordenadas, acupuntura, entre outros. A fibromialgia não tem cura, mas tem tratamento para amenizar os sintomas”.

A presidente em exercício da Associação Nacional de Fibromiálgicos e Doenças Correlacionadas (Anfibro), Caren Cunha, dise que a entidade possui parceria internacional com a Europa. “É importante que algumas pessoas de cada município se mobilizem. Melhoramos a nossa parceria com a Alesc e progredimos de projeto de lei para implantação de lei”.

Segundo Caren, estatísticas apontam que de 3,5 a 5% da população tem fibromialgia. “São pessoas que têm dificuldades de competir no mercado de trabalho. A Anfibro luta para a doença ser classificada como deficiência e assegure um diferencial no mercado de trabalho”.

A coordenadora do Centro Especializado de Reabilitação (CER II/Unesc/Criciúma), Magada Tessmann, explicou a criação de centro de acolhimento de pacientes com fibromialgia na Unesc. Segundo ela, o tratamento seria com ou sem medicamentos. “Normalmente o paciente permanece durante 12 semanas para o tratamento e depois prossegue o tratamento em casa”.

A representante do grupo de fibromialgia de Concórdia e região, Célia Rolin, alertou que um dos maiores problemas de quem sofre com a doença seria de conseguir receber o reconhecimento da previdência social, sendo que o órgão não possui entendimento sobre o que é essa doença.
“Alguns conseguem trabalhar e outros não. A gente fica muito debilitado. Pela falta de reconhecimento na previdência, muitas vezes os pacientes sentem-se humilhados”.

Participações
O debate com o grupo de fibromiálgicos de Concórdia e região ainda teve os seguintes convidados:
– Delegada Região Sul e líder voluntária da Associação Nacional de Fibromiálgicos e Doenças Correlacionadas (Anfibro) de Joinville, Flávia Mesquita;
– Superintendente de Serviços em Regulação, Ramon Tartari, que representou André Motta Ribeiro, secretário de Estado da Saúde;
– Presidente do Cosems e secretário municipal de Saúde de Tubarão, Daisson Trevisol;
– Consultor em Saúde da Fecam, Jailson Lima, que representou Clenilton Pereira, presidente da Federação Catarinense de Municípios e prefeito de Araquari;
– Representantes de grupos municipais de fibromialgia. Entre eles: Lacita Amant (Concórdia); Valquíria Pereira (Concórdia); Margarete Solonynska (Piratuba); Claudionei Kirst (Ipira); Ivanira Chwantes (Concórdia); Fernanda da Silva (Concórdia); Gisele Cunha (Criciúma); Luciene dos Santos (Criciúma), Liliana Mendes (Cocal do Sul), Ana Haefliger (advogada), entre outros.
 

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