Apagão no Vale do Rio do Peixe e má gestão do Samu mobilizam deputados


A má gestão do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o apagão que desde a noite de sexta-feira castiga vários municípios da região do Vale do Rio do Peixe mobilizaram os parlamentares na sessão de terça-feira (1º) da Assembleia Legislativa.

“Sexta-feira, às 23h30, fomos surpreendidos com a queda de energia, não sabíamos exatamente o que estava acontecendo, mas imaginávamos que pudesse retornar ainda na sexta-feira à noite ou na madrugada de sábado, mas sábado ainda estávamos sem energia e sem saber o que tinha acontecido. Rádios fora do ar, não havia nenhuma comunicação telefônica, Internet, ficamos literalmente às escuras”, descreveu Valdir Cobalchini (MDB).

Segundo o representante de Caçador, um tornado provocou a queda de cinco torres na linha de transmissão de Campos Novos a Videira, deixando mais de 150 mil pessoas sem luz.

“Não tem linha alternativa, agora, às 15h24 estamos sem energia, 100% da cidade de Caçador sem energia, só com gerador no hospital. Não tem precedentes em lugar nenhum. Ontem vim conversar com a diretoria da Celesc e quero fazer um apelo: não somos clientes da Evoltz, que até então não sabia que existia essa empresa”, afirmou Cobalchini, referindo-se à concessionária privada das linhas de transmissão que abastecem a região.

“Um absurdo o que está acontecendo, depois privatizam e perguntam o porquê! Do jeito que está, não pode ficar, exigimos um mínimo de respeito”, insistiu Cobalchini.

Milton Hobus (PSD), Maurício Eskudlark (PL), Nilso Berlanda (PL) e Kennedy Nunes (PSD) hipotecaram apoio à comunidade atingida e cobraram agilidade da Celesc.

“Sua indignação é a dos caçadorenses, isso mostra a fragilidade da empresa pública chamada Celesc. Está na hora de cobrar a estruturação da distribuição de energia. Vamos criar uma comissão para fiscalização dos investimentos feitos”, sugeriu Hobus.

“Um absurdo, desde sexta-feira, estamos na terça-feira, imagine o produtor, o empresário”, lamentou Eskudlark.

“É a pior estatal, para ligar energia demora 45 dias um protocolo”, disparou Berlanda, vice-presidente da Casa.

“Quero lembrar os moradores de Caçador que a Celesc novamente aprovou a divisão dos lucros e cada um dos seus diretores vai ganhar R$ 180 mil”, informou Kennedy.

Já o deputado Jessé Lopes (PSL) denunciou a má gestão no Samu.

“Falta material básico, equipamentos de proteção individual (EPIs); o telefone da central não grava as ligações; as viaturas estão sem manutenção e seguro; a central de regulação está com cadeiras velhas e quebradas; faltam ventiladores mecânicos; estão desde 2020 sem depósitos de FGTS; os oxímetros mal funcionam; e estão há três anos sem férias”, relatou Jessé Lopes.

Jessé contou aos colegas que o pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de sua autoria para investigar a gestão do Samu já conta com quatro assinaturas: a sua e dos deputados Sargento Lima (PL), Bruno Souza (Novo) e Ivan Naatz (PL).

Ricardo Alba (PSL) e Marcius Machado (PL) de pronto apoiaram a iniciativa de Jessé. 

“Tem muita coisa para ser investigada no Samu, conte com minha assinatura nesta CPI”, afirmou Alba.

“Pode contar comigo”, prometeu Marcius.

Neodi Saretta (PT), presidente da Comissão de Saúde, também pediu celeridade na solução dos problemas que tornam precária a prestação do serviço de emergência.

“Muitas questões permanecem pendentes, a questão salarial, FGTS, férias, revisão de benefícios, precarização da infraestrutura, EPIs. Apelamos para que sejam tomadas medidas”, reclamou Saretta.

Reforma da previdência
Bruno Souza voltou a defender a reforma da previdência e ironizou a afirmação do governador Carlos Moisés sobre “colocar a casa em ordem”.

“Casa em ordem? Como, se não cuidamos da maior despesa, um buraco que suga quase R$ 400 mi por mês? Como é que alguém pode dizer que colocou a casa em ordem, se não olhou para a maior despesa?”, questionou Bruno, que cobrou o envio da reforma pelo Executivo.

“Acredito que (a reforma da previdência) hoje seja colocada em votação em Joinville, pelo menos as emendas. Lá o prefeito fez o dever de casa, quem sabe sirva de exemplo para o governador”, opinou Sargento Lima.

Irresponsabilidade
Sargento Lima classificou de irresponsabilidade do Executivo o fato de familiares do policial que foi atingido por disparos no afamado assalto a banco em Criciúma estarem organizando uma vaquinha para comprar fraldas.

“Uma vergonha para Santa Catarina, essa é a resposta que o Estado deu para ele”, deplorou Lima.

Recuperação de 58%
Marcius Machado noticiou que a taxa de recuperação de pacientes com Covid-19 na UTI do Hospital Tereza Ramos, de Lages, é de 58%.

“O índice de recuperação de internados com Covid no Tereza Ramos foi de 58%. E o pessoal comemora, mas está meio a meio, entra um com a Covid e sai recuperado e entra outro e morre. Não sei o que está acontecendo, se o vírus está cada vez mais perigoso, nocivo. É assustador, tem pessoas que quando vão para ser intubadas, não querem, uma fugiu do hospital e está viva”, revelou.

Serra do Corvo Branco
Marcius repercutiu a entrega de ordem de serviço para a pavimentação da Serra do Corvo Branco, que liga o Sul do estado à Serra.

“Vai ter asfaltamento, vai trazer mais segurança, unindo o Sul e a Serra, uma obra maravilhosa”, comemorou Marcius, acrescentando que o governador deverá visitar Lages nos próximos dias para liberar emendas impositivas de sua autoria e a nova ala do hospital Tereza Ramos.

Geradores antigranizo
Sargento Lima protocolou pedido de informação que já havia sido protocolado em 2019 e 2020 questionando o governo sobre a manutenção de geradores que integram o sistema antigranizo da região de Caçador.

“Dos trinta, seis não estão funcionando, mas todos têm de estar funcionando”, alertou Lima, que pediu para a Liderança do Governo contatar o secretário da Agricultura.

Hobus concordou com Lima.

“Têm dados estatísticos, a perda é significativa se não se faz este trabalho. Os agricultores ajudam, as prefeituras ajudam, por que o estado não? Fiz isso via Defesa Civil, infelizmente este projeto parou”.

Vacinas para frear a pandemia
Milton Hobus sugeriu retomar a vacinação tendo como critério a idade, haja vista que o grupo com comorbidades, professores e profissionais da Saúde e da Segurança já estão sendo vacinados.

“Na verdade, a prioridade é achatar a idade, quanto mais jovens, mais defesas, menos letalidade, por isso o mundo inteiro está fazendo isso. É um absurdo colocar os presidiários antes do trabalhador. O jovem preso vai se vacinar antes do trabalhador de 59 anos”, criticou Hobus, indicando que também no presídio o critério de vacinação deveria ser o etário.

Neodi Saretta (PT) também defendeu a ampliação da vacinação.

“É preciso ampliar os grupos de vacinação, claro, há a quantidade de doses, mas ao lado do fato de ter poucas doses, as doses que chegam estão demorando para ir para os braços das pessoas. Abrem 400 vagas, vai dar 150 vacinados”, indicou o ex-prefeito de Concórdia.

Recursos estaduais em obras federais
Milton Hobus repercutiu a rejeição pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do veto aposto pela vice-governadora Daniela Reinehr relativamente aos autógrafos da lei que autorizou o aporte de recursos estaduais em obras federais.

“Votei no presidente Bolsonaro, sei que este ano foi de pandemia, de pós-pandemia, que ano passado o governo mandou dinheiro para estados e cortes tiveram de ser feitos, mas cortaram justo daqui. Que no que vem coloque no mínimo o que Santa Catarina está colocando agora, estamos sendo asfixiados porque o governo central não investiu nada nas suas obras federais em Santa Catarina”, registrou Hobus.

Dia da imprensa
Doutor Vicente Caropreso (PSDB) lembrou a passagem do dia da imprensa, celebrado nesta terça-feira.

“Em 1º de junho de 1808 circulou o Correio Braziliense, editado por Hipólito José da Costa, brasileiro exilado em Londres. Na época, o único jornal com permissão de circular era a Gazeta do Rio de Janeiro, órgão oficial da Coroa. O Correio era lido secretamente pela população e criticou erros e a corrupção na corte. Um exemplo histórico do papel da imprensa”, avaliou Caropreso.

O deputado expressou solidariedade aos jornalistas, radialistas e repórteres fotográficos que atuam em veículos ou de forma independente.

“Infelizmente vivemos tempos difíceis, de polarização dura, com crescente ataque aos jornalistas”, lamentou Caropreso, que pediu atenção à propagação das chamadas fake news, principalmente relativamente às vacinas.

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