Deputado Naatz lamenta ausência do governo em audiência pública sobre construção de Barragens no Alto Vale do Itajaí

O presidente da Comissão de Turismo e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Estado, deputado Ivan Naatz (PV) lamentou a ausência de representantes do governo do Estado na audiência pública que reuniu mais de 900 pessoas no municipio de Pouso Redondo na noite desta quinta-feira última ( 24) para manifestar a contrariedade aos projetos de construção de duas barragens de contenção de cheias no município e outras cinco na região do Alto Vale do Itajai. Lideranças políticas e empresariais , de entidades sociais, comunitárias , além de associações de agricultores apresentaram uma manifesto, uma moção  e um abaixo assinado com cerca e 7 mil assinaturas no sentido de que as obras não aconteçam alegando prejuízos econômicos no setor da agricultura familiar, de cerâmica industrial , abastecimento de água, estradas  e também porque a população ainda não foi ouvida para esclarecimento sobre os projetos.
“Como o governo atual ainda é novo seria interessante , por meio dos técnicos e gestores dos setores do planejamento e  defesa Civil, aproveitar a oportunidade para ouvir o que pensa a comunidade local e regional e traçar perspectivas sobre estes projetos “, avaliou o deputado Ivan Naatz. Ele acrescenta que a comissão ,além de entregar o manifesto e documentação da audiência vai continuar acompanhando junto ao governo a evolução dos acontecimentos, também a partir de um estudo feito pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Itajai -Açu.
PROJETOS – A construção das barragens em Pouso Redondo integra um planejamento realizado em 2013 pelo governo, baseado em estudos da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), com o objetivo de diminuir os riscos provocados pelas cheias do rio Itajaí-Açu. Para tanto, está prevista a construção de sete estruturas na região – Botuverá, Petrolândia e Mirim Doce recebem uma, enquanto Agrolândia e Pouso Redondo receberiam duas de cada. O Vale do Itajaí já conta com barragens em Ituporanga, José Boiteux e Taió.
Em Pouso Redondo as contenções seriam implantadas no leito do Rio das Pombas, sendo a primeira com 750 metros de comprimento e 17 metros de altura e a segunda, 3 quilômetros rio abaixo, de 520 metros de comprimento e 33 metros de altura. A área alagada prevista no total é de 150 hectares.
O presidente da Associação dos Atingidos por Barragens de Pouso Redondo, Bruno Amancio, afirmou que a população do município não foi ouvida pelo governo por meio de audiências públicas prévias, a exemplo do que ocorreu nos outros municípios apontados para receber as obras.
Segundo ele, cerca de 50 famílias teriam as terras cobertas pelas águas das barragens, que também afetariam parte significativa da tubulação de água e esgoto, cabeamento de energia elétrica e estradas do município.
O prefeito de Pouso Redondo, Oscar Gutz (PDT), observou que as barragens enfrentam tamanha rejeição porque não visam atender às necessidades da população local, mas às de outros municípios. “Aqui não há enchente. Inclusive nesse rio, para onde as barragens estão projetadas, é captada água para consumo humano e às vezes até falta. Acredito que os recursos previstos para essas obras deveriam ser aplicados em coisas mais importantes, como nas áreas da saúde e da educação.” Ficou definido ainda, após a audiência,  realização de um novo encontro sobre o tema, em novembro do ano que vem. “Acho que é um tempo suficiente para acompanhar, observar os encaminhamentos que o governo vai dar e reunir novamente a comunidade para cobrar as perspectivas futuras”, concluiu o deputado Ivan Naatz.