A crise e o turismo: acordo preserva 1700 empregos na região de BC, na Coluna Turismo & negócios, por Carlos Mello

Setores de divulgação do trade turístico nacional tem destacado a iniciativa do setor patronal e de empregados do setor de hotelaria, bares e restaurantes da região de Balneário Camboriú como uma boa alternativa para minimizar perdas financeiras sem abrir mão das equipes diante deste período de paralisação das atividades devido as medidas de enfrentamento da pandemia do coronavírus.  Atualmente, quase a totalidade da oferta de hotéis, restaurantes e atrações turísticas estão de portas fechadas para respeitar a determinação de isolamento social imposta pelo governo. Com esse cenário algumas empresas perdem receita e acabaram abrindo mão de parte da sua força de trabalho. Outras optaram por acordos e refizeram planejamento para manter empregos sem prejudicar seu caixa.

ACORDO 

Num desses exemplos de rearranjo feitos para minimizar as perdas, o Sindicato dos Empregados no Comércio Hoteleiro, Bares, Restaurantes e Similares de Balneário Camboriú e Região (Sechobar) e o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Balneário Camboriú e Região (Sindsol) selou um acordo. O trato feito pela organização conta com a participação de 110 estabelecimentos da região e representa a manutenção de 1,7 mil empregos, conforme comenta o presidente do Sindsol, Isaac Pires.

De acordo com Pires, foram organizados contratos coletivos com os trabalhadores de cada empresa estabelecendo algumas diretrizes que valem enquanto durarem as medidas de isolamento social. De um lado, a empresa garante a manutenção dos postos de trabalho. De outro, os trabalhadores passam a cumprir jornadas reduzidas e aceitam reduções salariais proporcionais à diminuição em horas trabalhadas. Há também outros acordos concedendo férias para funcionários.

MIRANDO O PÓS -CRISE 

Ainda dentro do acordo está garantida a doação de cestas básicas mensais aos colaboradores e os benefícios mantidos, conforme comenta o presidente do Sindsol, que também é empresário do ramo. Pires é um dos diretores da rede Pires, que gerencia restaurantes fast food e alguns hotéis – de marca própria e franquias da francesa Accor.

“Neste momento, nosso olhar se volta para o pós-crise. Nossa instituição tem promovido videoconferências com a Secretaria de Turismo, empresários do trade e técnicos de diversas áreas, já desenhando futuras ações de divulgação do nosso destino quando as medidas de isolamento social não se fizerem mais necessárias”, conta o executivo. “Balneário Camboriú é feita de empreendedores fortes e trabalhadores de alta qualificação, pessoas que estarão preparadas e de braços abertos esperando os visitantes de todo o Brasil e do Exterior quando este triste momento passar”, complementa.

O Sindsol representa empreendimentos de oito municípios da região e o Sechobar reúne estabelecimentos de quatro cidades nas mesmas adjacências

DIVERGÊNCIAS 

Pires comenta ainda que, diante dos números e ações feitas pelos sindicatos, é possível contestar um recente levantamento feito pelo Balneário Camboriú Convention & Visitors Bureau (BC Convention). O estudo em questão projeta a demissão de 50% da força de trabalho que lida com o Turismo na região.

OPERADORAS DE TURISMO: CRISE JÁ CUSTA  3, 9 BI 

O impacto das medidas adotadas para conter a pandemia do novo coronavírus nas operadoras de turismo brasileiras já soma R$ 3,9 bilhões em adiamentos e cancelamentos de viagens, que já passam de 90% até maio.  Os dados foram divulgados nesta semana via Agência Brasil pela Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), que pede a implementação rápida de políticas públicas de apoio ao setor turístico. As operadoras de turismo são empresas que montam pacotes e programas de viagens que são comercializados pelas agências, e a perda contabilizada em 2020 já equivale a cerca de 25% de todo o faturamento das operadoras em 2019, que foi de R$ 15,1 bilhões.

RETOMADA

Metade das empresas do setor acredita que a retomada das vendas se dará ainda em 2020. Uma parcela de 12% aposta que a recuperação pode ocorrer até o mês de julho, e 36% vê o segundo semestre como momento de retomada. Para 43% das operadoras, a comercialização de viagens voltará ao normal apenas em 2021. Uma parcela de 9% ainda não consegue prever uma retomada. O balanço da associação aponta que a retomada prevista para o segundo semestre deve começar por viagens domésticas, que são mais acessíveis financeiramente e transmitem maior segurança aos viajantes.

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