Simpósio discute estratégias para resgate da confiança da população nas vacinas

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Promover campanhas de conscientização, desenvolver ações para que os municípios possam promover buscas ativas de pessoas não vacinadas, colocar o tema de vacinação nas escolas, nas comunidades, que a sociedade médica oriente os seus pacientes e incentivar o reforço ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), que em 2023 completa 50 anos, foram os principais encaminhamentos  do Simpósio Catarinense de Imunização: pelo resgate das coberturas vacinais, realizado na tarde desta quarta-feira (14). O evento debateu a redução da cobertura vacinal no estado e discutiu ações e estratégias para o resgate da confiança da população nas vacinas e a manutenção do status de controle e erradicação de diversas doenças.

Promovido pela Secretaria de Estado da Saúde, com apoio da Comissão da Saúde da Alesc, o simpósio apresentou números preocupantes da cobertura vacinal em Santa Catarina. A vacina contra a poliomielite, por exemplo, o último ano em que o estado alcançou a cobertura vacinal ideal, que é de 95%, foi em 2017 (95,2%). Depois disso, as coberturas caíram para 94,7% em 2018; 93,8% em 2019; 88,3% em 2020; 83,2% em 2021. A situação é parecida com a da vacina Tríplice Viral (VTV), que protege contra o sarampo, a caxumba e a rubéola. O último ano em que a cobertura vacinal foi satisfatória foi em 2019 (96,1%).

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“Hoje o Brasil enfrenta o pior momento de sua história no que se refere à cobertura vacinal. Em 2022, até este momento, nenhuma das vacinas do calendário de crianças menores de um ano alcançou a cobertura mínima para garantir uma proteção coletiva do grupo. A vacinação de adolescentes, gestantes e idosos também tem sofrido queda. Se permanecermos com essas baixas coberturas, o risco de reemergência de doenças já eliminadas como a poliomielite, a rubéola e o sarampo, e a ocorrência de epidemias de doenças já controladas como meningite, difteria, tétano, febre amarela, entre outras, será iminente”, assinala o superintendente de Vigilância em Saúde, Eduardo Macário.

Ele assegurou que não faltam vacinas no estado e sim pessoas para serem vacinadas. “Nós temos uma preocupação com grupos específicos como pessoas idosas, com doenças crônicas e principalmente para crianças e gestantes. Tem que haver campanhas personalizadas e permanentes, nos locais em que elas frequentam, principalmente escolas, ambientes de trabalho.  Vacina não falta e muitas das vezes elas precisam ser utilizadas dentro de um prazo específico, por exemplo as vacinas contra Covid-19, em 2021 nós tivemos alta cobertura vacinal, em alguns momentos até faltavam vacinas devido a demanda, mas agora é o contrário, precisamos vacinar com doses de reforço e a população não procura. Resultado disso é que temos perdas de vacinas por decurso de validade.”

O presidente da Comissão de Saúde, deputado Neodi Saretta (PT), destacou a importância do evento porque o estado precisa reforçar a questão da imunização. “O PNI, que está completando 50 anos, foi citado no mundo com exemplo, mas infelizmente nos últimos tempos ocorreu uma queda na cobertura de todas as vacinas, doenças já erradicadas no Brasil estão voltando, como o sarampo, e esses números precisam ser revertidos.” O deputado lembra que o SUS (Sistema Único de Saúde) é tripartite, responsabilidade das secretarias municipais da saúde, da Secretaria de Estado e do Ministério da Saúde. “Mas, sem dúvida nenhuma, o Ministério da Saúde deveria estar à frente destas campanhas.”

O deputado Dr. Vicente Caropreso (PSDB), único parlamentar médico na atual legislatura e que atua há mais de 40 anos no estado, defendeu a importância da vacinação. Lembrou do início da carreira quando era comum casos de paralisia infantil e que foi reduzido com as vacinas, mas que agora volta a preocupar. Enfatizou que Santa Catarina sempre foi reconhecido como um dos estados brasileiros com as maiores coberturas vacinais do país, mas que também vem enfrentando uma redução gradual no número de imunizados.

Caropreso disse que a redução ocorre desde 2015 e que essa redução é um fenômeno mundial devido a grupos contrários à vacinação e fake news. Para o deputado, a vacinação é um ato de amor, de ciência e de respeito ao ser humano. “As vacinas são seguras e estimulam o sistema imunológico a proteger a pessoa contra doenças transmissíveis. Quando adotada como estratégia de saúde pública, elas são consideradas um dos melhores investimentos em saúde, considerando o custo-benefício.”

De acordo com o parlamentar, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) tem avançado ano a ano para proporcionar melhor qualidade de vida à população com a prevenção de doenças. Tal como ocorre nos países desenvolvidos, o Calendário Nacional de Vacinação do Brasil contempla não só as crianças, mas também adolescentes, adultos, idosos, gestantes e povos indígenas. No total, são disponibilizadas na rotina de imunização 19 vacinas cuja proteção inicia ainda nos recém-nascidos, podendo se estender por toda a vida.

Fonte: Agência ALESC

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