Boas práticas na gestão de orgânicos em Floripa servem de exemplo em evento da região metropolitana

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Floripa já é a capital que mais recicla, mas está dando saltos em direção às metas lixo zero 2030, impulsionada pela coleta seletiva pública de resíduos orgânicos e de vidro. O exemplo de boas práticas em gestão de resíduos sólidos urbanos da capital catarinense será apresentado em 23 de novembro, das 8h às 11h, no Auditório da Granfpolis, na primeira parte do evento Sustentabilidade na Região Metropolitana da Grande Florianópolis, promovido pela Associação dos Municípios da Grande Florianópolis, Consórcio Intermunicipal Multifinalitário da Grande Florianópolis, Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smma) da Prefeitura Municipal de Florianópolis e Conselho Metropolitano de Desenvolvimento da Grande Florianópolis (Comdes). 
 
A apresentação dos resultados será feita pelas coordenadoras do projeto “Ampliação e Fortalecimento da Valorização de Resíduos Orgânicos no município de Florianópolis” na Smma Karina da Silva de Souza, engenheira sanitarista e mestre em engenharia ambiental pela Ufsc, e Daiana Andréia Bastezini, gerente de Planejamento da Superintendência de Gestão de Resíduos. O projeto foi o segundo colocado nacional em edital do Fundo Nacional de Meio Ambiente e viabilizado por acordo de cooperação financeira com o Fundo Socioambiental Caixa. Contratado em 2018, o recurso permitiu implantar sistemas de compostagem em escala individual, comunitária e institucional, com ações de sensibilização e capacitação da comunidade, monitoramento e apoio técnico aos pátios. 
 
A partir dessa experiência, informa Karina, passam a ser avaliados os modelos de pagamento por serviços de compostagem para consolidar a política pública e ajudar a cidade a atingir a meta de, até 2030, desviar do aterro sanitário 90% dos resíduos orgânicos. 
 
Os R$ 987 mil em recursos do Fnma permitiram deflagrar as ações de sensibilização ambiental e estruturação técnica e operacional da seletiva. A partir do planejamento para o projeto, foram investidos pela Prefeitura de Florianópolis R$ 10 milhões em coleta seletiva entre 2020 e 2021. Com isso, foi possível ampliar a rede de entrega voluntária de resíduos (hoje são mais de 140 PEVs de vidro e seis Ecopontos) e implantar a seletiva flex, levando a coleta porta a porta para quatro frações de resíduos: recicláveis, só vidro, orgânicos compostáveis e rejeito.
 
De acordo com o diretor executivo do Consórcio Intermunicipal da Grande Florianópolis, Marius Bagnati, o avanço de Florianópolis na valorização dos resíduos sólidos se deve, principalmente, à busca por conhecimento, tanto no mercado quanto no meio acadêmico, pelo corpo técnico e gerencial da então Comcap. A partir do que, o método Ufsc de compostagem, desenvolvido pelo professor Rick Monsen Miller, passou a ser adotado em várias iniciativas públicas, privadas e associativas. 
 
“As políticas públicas da administração municipal, apoiando a formação de hortas comunitárias e em unidades de educação e saúde fortaleceu a consciência coletiva sobre separação de orgânicos e compostagem. Os recursos aportados pelo Ministério do Meio Ambiente sustentaram os novos parâmetros para coleta diferenciada e para o pagamento por serviços de compostagem que fortalece a outra ponta do processo, fechando o ciclo da economia circular”, aponta Bagnati.
 
Melhora na pegada ambiental
 
Em 2021, foram recuperadas 18,4 mil toneladas de resíduos pela coleta seletiva de recicláveis secos e orgânicos em Florianópolis e a meta é quintuplicar essa quantidade até 2030. No total, 33,7 mil toneladas de carbono equivalente deixaram de ser emitidas ano passado pela ação da coleta seletiva em Florianópolis.
 
Com a adesão e engajamento às metas lixo zero 2030, os cidadãos de Floripa deixarão de mandar 100 mil toneladas de resíduos para o aterro sanitário por ano, o que equivalerá a menos 200 mil toneladas de carbono equivalente/ano. 
 
Além de diminuir as emissões de gases poluentes e, portanto, mitigar o impacto sobre o clima, as metas lixo zero permitirão elevar os ganhos sociais com a reciclagem de R$ 8 milhões para R$ 47 milhões/ano, entre o que o município deixa de gastar com aterro e a renda gerada com a reciclagem e a compostagem.
 
A fração de orgânicos foi a que registrou melhor desempenho, com aumento de 54%, de 2020 para 2021. Passou de 4.657 toneladas para 7.201 toneladas/ano, com a implantação inovadora da seletiva de verdes em 2020 e da seletiva flex só de orgânicos em 2021. Em 2022, com a experiência inédita no Brasil de descentralizar e remunerar serviços de compostagem, a Prefeitura de Florianópolis já repassou mais de R$ 50 mil a pátios comunitários pela compostagem de pelo menos 175 toneladas de resíduos orgânicos. 
 
Seletiva flex Floripa
 
Os resultados da seletiva flex Floripa, implantada em junho de 2021, já são sólidos e compensadores. No Itacorubi, por exemplo, o indicador de reciclagem mais do que triplicou. Na média da cidade, 9% dos resíduos totais são coletados de forma seletiva e, portanto, desviados do aterro sanitário. No Itacorubi, o percentual de recuperação pela reciclagem já está em 30%.                                                                                                                        A seletiva flex já atende 12 bairros e parte do Centro de Florianópolis, dois hospitais, cinco creches e escolas e a Alesc. A seletiva de verdes atende toda cidade.
 
Onde passa

– Seletiva flex só de orgânicos, de porta em porta com contentor, no Itacorubi, Córrego Grande, Trindade, Carvoeira, João Paulo e área residencial do Centro. 
– Seletiva flex só de orgânicos em pontos de entrega voluntária (PEVs) no Monte Verde (47 bombonas), Monte Cristo (26 bombonas), Ribeirão da Ilha (15 bombonas), Morro do Quilombo (17 bombonas) e Ratones (31 bombonas), Mont Serrat (16 bombonas) e Morro do Horácio (23 bombonas).
– Seletiva flex só de orgânicos institucional no Cepon, Hospital Governador Celso Ramos, cinco creches e escolas no Maciço do Morro da Cruz (Morro do Horácio, Serrinha e Mont Serrat) e duas unidades da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Palácio Barriga Verde e unidade da Mauro Ramos). 
– Seletiva de verdes (podas) em toda cidade, 10 vezes por ano em cada bairro.
 
Quanto coletou
 
EM 2021
Orgânicos 7,2 mil ton/ano ganhos de R$ 2 milhões
 R$ 1,2 milhão em economia com aterro
R$ 800 mil geração de renda com cepilho e composto doados para agricultura urbana 
 
META 2030
 
Orgânicos 66 mil ton/ano ganhos de R$ 17 milhões.
 

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Fonte: Prefeitura de Florianópolis

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