Deputados criticam baixa qualidade da recuperação de rodovias federais


A má qualidade dos trabalhos de recuperação das rodovias federais no estado foi o tema mais debatido na sessão da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, na manhã desta quinta-feira (23). Os parlamentares criticaram as obras em andamento e destacaram a importância da mobilização para sensibilizar o governo federal para o problema.

O assunto foi iniciado pelo deputado Kennedy Nunes (PTB), que na sessão do dia anterior já havia comentado sobre a operação tapa-buracos que acontece nas BRs 282 e 153. “Passei por lá e vi. Foi só eu falar e já recebi vídeos de usuários para provar a má qualidade da obra que está sendo feita”, afirmou. O parlamentar solicitou a exibição no telão do Plenário um vídeo gravado por um usuário que mostrava buracos no asfalto de um trecho que recém havia sido refeito.

O presidente da Alesc, deputado Moacir Sopelsa (MDB), citou que mora em Concórdia, onde a BR-153 foi revitalizada desde o trevo de Rio Cachimbo até às margens do Rio Uruguai. Segundo ele, dois meses após a obra ter sido entregue, surgiram “crateras de mais dois metros de comprimento por um metro de largura”. Para Sopelsa, é “preciso ver quem” está fiscalizando o trabalho. “Isso ocorre também na BR-283 entre Concórdia a Chapecó”, citou.

Nunes sugeriu que a Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa convoque a empresa responsável pela obra e o Dnit para vir ao Parlamento e explicar qual tipo de fiscalização está sendo feita e qual a qualidade do material usado nas obras. “A maior parte das empresas ganha as licitações com preço lá em baixo, um memorial descritivo com materiais de alta qualidade. Mas, por falta de fiscalização, muitas vezes o material citado não é o que está sendo aplicado”, lamentou.

O deputado Silvio Dreveck (PP) também criticou a situação. “Quando não se pode ter novas rodovias, o mínimo que se espera é uma boa sinalização, pois em recuperação temos poucas. Mas a sinalização é péssima e, além disso, a operação tapa-buraco, como disse o deputado Kennedy, assim que fecha um buraco, abrem-se dois. Alguma coisa não está acontecendo corretamente. Ou o material não é bom, ou é falta de fiscalização ou é problema na licitação. O fato é que o usuário é quem está pagando a conta e, como vimos há poucos dias, em Ponte Serrada, mais duas vidas foram ceifadas nas rodovias”, comentou.

Dreveck reconheceu que é verdadeira a dificuldade dos governos sobre a disponibilidade de recursos para as obras, mas disse que também não avançam as concessões. “Temos os exemplos da BR-116, de Lages a Curitiba, e da BR-101, de Curitiba a Porto Alegre. O quanto melhoraram em termos de segurança, diminuindo acidentes fatais e com mais segurança para o usuário até economicamente, mesmo com os pedágios”, afirmou.

Considerando as situações das BRs 282, 153 e 163 que cruzam a região Oeste do Estado, a deputada Marlene Fengler (PSD) informou que a Bancada do Oeste já encaminhou à bancada federal o pedido de uma audiência no Ministério da Infraestrutura. Segundo ela, a intenção é solicitar “mais uma vez um olhar diferenciado” para as rodovias federais no Estado.

“Tudo o que é produzido pelo Oeste passa pelas rodovias federais e estaduais e, mais do que nunca, é necessária essa atenção”, justificou.

Educação
Ao falar no horário reservado ao PP, o deputado Silvio Dreveck questionou o fato de, apesar de existir oferta de empregos no Estado, o mercado de trabalho não consegue preenchê-las “mesmo com tanto desemprego no Brasil”. Para o parlamentar, é preciso descobrir onde está a causa do problema.

“Há anos questiono se estamos dando uma educação e conhecimento adequados à juventude principalmente no ensino médio e técnico. No médio há muito tempo vemos uma qualidade longe daquilo que o mercado precisa e necessita. Por qual motivo o jovem desiste e não conclui o ensino médio? Porque não faz ensino técnico?”, indagou.

Na opinião do deputado, é preciso apurar “se é o jovem ou se é a oferta dos cursos que não são adequados” para o mercado de trabalho. “As profissões estão mudando todos os dias e, daqui cinco ou seis anos, talvez pouco das atuais vão existir. Nós estamos preparando o nosso jovem para isso? Não é o que dá para perceber no momento. Quando vai para uma empresa, principalmente no ramo da indústria, se a empresa não tiver uma escola interna para qualificar este jovem, o que ele traz do ensino médio, infelizmente, não está de acordo com que o mercado precisa”, destacou. 

Para Dreveck, está na hora das autoridades estaduais e federais trazerem esse assunto para um debate maior e fazer as alterações no currículo escolar para preparar a juventude adequadamente. “Educação não é só quantidade. É conhecimento, é qualidade e estar adequado ao que o mercado atual e futuro esperam para poder dar oportunidade de crescimento, aprendizado, qualificação e resultado promissor na carreira”, finalizou.

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