Alesc promove em Blumenau seminário sobre inclusão de pessoas com autismo


“O autismo é uma forma diferente de ser, de estar no mundo. É mais um jeito de expressão na nossa sociedade. São pessoas assim como todas as outras, mas, tal como todos, são diferentes entre si. Conhecer o autismo é aceitar a pluralidade que existe de ser e de existir”. A definição sobre o que são os autistas é da psicóloga com especialização em Intervenções Precoces no Autismo, Ana Carolina Wolff Mota. Ela foi uma das palestrantes do Seminário “Transtorno do Espectro Autista – conhecer para incluir”, realizado nesta segunda-feira (20), em Blumenau.

O evento foi promovido pela Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Assembleia Legislativa, em parceria com a Escola do Legislativo Lício Mauro da Silveira e da Câmara de Vereadores de Blumenau, por meio da Escola do Legislativo Fritz Müller.

O seminário reuniu, no Plenário do legislativo municipal, profissionais das áreas da saúde, educação e assistência social que atuam com pessoas com deficiência. O objetivo: desenvolver uma reflexão sobre o que se entende por Transtorno do Espectro Autista (TEA) e debater ações de inclusão.

Atuando há mais de 30 anos com autismo, a psicóloga Ana Carolina explica que o TEA é um transtorno neurobiológico e se caracteriza, de maneira básica, na dificuldade de interação e comunicação social, e em uma resposta sensorial atípica (exemplo: intolerância a certos barulhos, ou dificuldade de aceitar texturas e cores).

A psicóloga fez questão de destacar que o autismo não é uma doença. “Quando eu comecei a trabalhar com autistas, na década de 1990, o que existia era uma visão muito patológica do transtorno. Naquela época, a condição era tratada como uma doença, mas agora já sabemos que não é. É sim uma deficiência, uma neurodiversidade (variação natural do cérebro humano) e faz parte da identidade daquela pessoa”.

Experiência pessoal
Mãe de dois meninos diagnosticados com autismo, um de 13 e outro de 17 anos, Simone Gadotti compartilhou a sua experiência aos participantes do seminário. Voluntária e ativista da inclusão social, Simone diz que tem como uma das missões desmistificar o lado negativo e o peso familiar que vem com o diagnóstico de TEA.

“Se a gente só ficar reclamando que tem um filho com autismo, não vai conseguir dar atenção às coisas boas. Eu vejo além do diagnóstico. O diagnóstico diz o que seu filho precisa, mas não diz o que seu filho é”.

Simone elencou quatro pilares que, na opinião dela, são essenciais nesse processo de melhor compreensão sobre o que é o autismo: a aceitação do diagnóstico, o apoio da família, conscientização da sociedade e ações para garantir a inclusão dessas pessoas.

Também é coordenadora do Projeto Ágape, um grupo que prepara e capacita cerca de 30 adolescentes autistas para o mercado de trabalho. “No Ágape, o autismo existe só até a porta de entrada. Depois que eles entram, são uma pessoa como qualquer outra. O objetivo do projeto é dar o empurrãozinho que eles precisam para ajudá-los a entrar no mercado de trabalho”, explicou Simone.

Mais capacitação
A Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência vai seguir capacitando os profissionais que atuam com pessoas autistas. O próximo evento será nesta quinta-feira, dia 23 de junho, em Tijucas, com o seminário “Transtorno do Espectro Autista: Conhecer para Incluir”.

A capacitação será também conduzida pela psicóloga Ana Carolina Wolff Mota, que deverá tratar sobre a visão do autismo pela perspectiva da neurodiversidade e sobre inclusão social e escolar das pessoas com TEA. O seminário será realizado no Anfiteatro Leda Regina de Souza, a partir das 8 horas.

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