Atlas de Variação em Saúde busca aprimorar atendimento no país


Uma equipe multiprofissional, com grande atuação em pesquisa, é a responsável pelo lançamento, na tarde desta terça-feira (10) no hall da Alesc, do primeiro atlas latinoamericano de variação em saúde. A iniciativa partiu do deputado Dr. Vicente Caropreso (PSDB), médico neurologista como os colegas Pedro Magalhães e Henrique Diegoli, da equipe de pesquisadores.

Baseado em dados coletados do SUS, o trabalho analisou o resultado das diferenças de acesso aos tratamentos de saúde nas 27 unidades da federação, divididas em 450 Regiões de Saúde. Em torno de 30 comparações foram feitas em diversos procedimentos como triagem, exames, medicações, mortalidade, custos, qualidade, anos de vida perdidos, assim como as deficiências no atendimento e se alguns procedimentos são justificados.

“O Atlas é uma ferramenta especial na gestão da saúde populacional. No estudo das variações em saúde é possível alocar recursos para suprir as verdadeiras necessidades da população. Por exemplo, o Acidente Vascular Cerebral (AVC) é a segunda maior causa de morte e de invalidez no Brasil. Hoje 154 milhões de brasileiros não têm acesso a uma terapia que poupe suas vidas e que proporcione recuperação para as sequelas que incapacitam para o trabalho, impedindo-os de uma vida saudável”, afirmou Pedro Magalhães.

O pesquisador lembrou que o Atlas de Variação em Saúde Brasil também é pioneiro em países considerados, majoritariamente, de média e baixa renda. “As variações em saúde demonstram uma grande desigualdade social no país, são condições inaceitáveis. Em algumas regiões, há muitos atendimentos em partos cesários e pouca atenção a doenças como diabetes e hipertensão.” Ele enfatizou que um real gasto em prevenção de saúde economiza 10 reais em tratamentos hospitalares.

Gratuidade
Henrique Diegoli salientou o caráter social da obra, disponível para acesso gratuito no site academiavbhc.org.atlas. O neurologista declarou que o grande objetivo do trabalho é promover uma grande mudança nas políticas públicas, pois cada uma das regiões de saúde foram investigadas, suas características e variações apresentadas. “O que leva cada região a ter esse cenário? Agora os grupos  de pesquisa e trabalho podem ter mais acesso ao tratamento de saúde executados nestas regiões.”

Ousadia
Ao definir o trabalho como um marco e uma ousadia na pesquisa em saúde pública, Dr. Vicente informou que algumas variáveis chamam a atenção em Santa Catarina. “Atendimentos de alta complexidade como a trombose, o AVC, inexistem do Meio Oeste à divisa com a Argentina. Já no litoral e em outras cidades funciona bem. O trabalho mostra falhas no atendimento e temos que repensar muitas situações. Nós, da classe política, precisamos avaliar o que estamos fazendo e agir com equilíbrio nas ações de saúde.”

Tendo atuado por 35 anos no Ministério da Saúde, o parlamentar declarou a importância do trabalho dos cientistas no fornecimento de dados para os gestores da saúde. “No Brasil, o problema não é só de gerenciamento, mas o fator político que faz com que sejam direcionados recursos em atendimentos que já contam com verbas suficientes.”

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