Oficina do Bairro Educador de Florianópolis resgata boi de mamão


Um vaqueiro ao ver seu boi de estimação morto, busca um médico e um curandeiro para ressuscitar o animal. Ao fim, o boi volta à vida e todos comemoram com cantorias e danças.

No Programa Bairro Educador, da Prefeitura de Florianópolis, dentre 11 oficinas há a do boi de mamão na sede do Morro da Marquinha.

As oficinas ocorrem às terças e quintas-feiras em dois horários: das 9h45 às 12h e das 13h às 15h30 e ainda há vagas disponíveis. Mas segundo o professor Márcio Guimarães, 48 anos, o grupo já está pronto para as apresentações. A primeira já ocorreu. Foi no dia 29 de março na inauguração do Restaurante Popular de Florianópolis.

Durante as aulas, os 31 integrantes da oficina, de 7 a 14 anos, se esmeraram em confeccionar os personagens com o uso de papel, jornal, cola artesanal de trigo, tinta, pano, espuma sintética. Além do boi, são concebidos os personagens maricota, bernunça, cavalinho, urso, e a cabra, entre outros.

Tudo com a supervisão do Márcio, um típico manezinho do Morro do Céu, que começou a dançar o boi aos 7 anos de idade com os antigos moradores para depois se profissionalizar na área.

“Com essa oficina”, diz o secretário de Educação, Maurício Fernandes Pereira, “mais do que resgatar o boi de mamão, a inciativa revive a nossa cultura açoriana”.

O Superintendente do Programa Bairro Educador, Bruno Becker, comenta que as músicas, os personagens e as histórias do boi de mamão fizeram parte de sua infância. E complementa: “é gratificante ver o envolvimento das crianças, o brilho nos olhos delas quando participam das nossas oficinas”.

ALGO FANTÁSTICO

O professor destaca o caráter lúdico da atividade. A oficina já inicia com algo fantástico que é a criação do brinquedo (personagem) pela criança em um mundo atual em que se recebe tudo pronto.

“Aqui a criança tem a oportunidade de conhecer como se constrói um personagem e como ele vai se desenvolvendo dentro da brincadeira. Trazer isso para a comunidade da Mariquinha é trazer de volta a cultura do boi de mamão para o Maciço do Morro da Cruz, lugar onde essa tradição era muito forte. A nossa meta é fazer com que a gente recupere todo esse tempo que se perdeu”.

Para Márcio, a criança vê no boi de mamão algo diferente. Algo que não dá para explicar. “Uma criança vem uma única vez e se encanta”. Fica empolgada para construir os personagens e para dançar a brincadeira.

“O professor está me ensinando a construir personagens que eu nem sabia que existia e nem sabia como fazer. É muito legal”, admite Júlia Moraes, 9 anos, que além de dar a vida à personagem pastorinha também interpreta a benzedeira.

“Eu já interpretei a pastorinha e o urso branco e estou gostando muito desta experiência”, confessa Rubieli da Silva, 8 anos.

“Ajudei a construir o boi, a maricota e a bernunça. O nosso professor é muito carinhoso e ensina muito bem cada detalhe dos personagens”, comemora Nicole Machado, 8 anos, que interpreta a pastorinha.

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