Projeto Eflúvia expõe as relações humanas a partir das camadas do autismo


As singularidades dos sujeitos, a estética da existência e as relações com o outro a partir das camadas do autismo. Essas são características do projeto Eflúvia das irmãs Ana Carolina e Andréia Peres, viabilizado com recursos da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc (Lei nº 14.017/2020). A obra pode ser visitada pelo público até 21 de março, de terças-feiras a domingos, das 10h às 16h, na Sala Freya Gross, localizada no segundo andar da Secretaria Municipal de Cultura e Relações Institucionais (SMC). A entrada é gratuita.

A atriz e escritora Ana Carolina e a artista e pesquisadora Andréia Peres são as coautoras de Eflúvia, uma obra objeto, um ready-made como definem o trabalho. “Há um enigma particular a ser desvendado através da conjunção estético-poética de anamneses cotidianas, coleções e objetos manufaturados, um dadaísmo catártico sobre as camadas do autismo e as relações com o outro, as singularidades dos sujeitos e a estética da existência”, exemplificam. “À medida que a obra é observada em sua totalidade, o conceito de alegoria retorna na forma de uma operação que indicia um significado novo em um objeto concreto, que busca nas camadas das realidades ordinárias a trajetória de um indivíduo e sua relação com as coisas e como se representa no mundo, neste caso, sob uma narrativa subjetiva pelo espectro do autismo e a relação com o outro e sua singularidade biográfica”.

Trata-se de um diário de bordo representado alegoricamente pela escrita de Ana, que narra a relação interpessoal entre irmãs e se expande imageticamente através das fotografias e documentos do acervo pessoal. “Um treinamento de si, centrado na ideia de um si que deveria ser criado como obra de arte: uma estética da existência”, explicam as irmãs.

A ideia é discutir as problemáticas da existência, justamente através da sua estética; uma linha de pesquisa adotada anteriormente e trazida à proposta por Andréia. “Traça-se então para a obra o conceito filosófico entre o paralelo discursivo de Focault e Duchamp, que se mimetiza ao conceito de representação do indivíduo a que a obra se refere.”

Contexto cotidiano

Não por acaso, Marcel Duchamp afirmava que “será arte tudo o que eu disser que é arte” e todos dependem de uma reconstituição atual de seu sentido (como funcionamento da obra), e somente nesse funcionamento conceitual e crítico, do qual faz parte o sujeito, é que a obra se justifica como arte. “Isto é, além de nos indicar que a arte precede e prescinde a maestria formal, o ready-made nos faz ver que o objeto deixa de ser arte no momento em que deixa de propor, para si mesmo, novas interpretações – no momento em que deixa de fazer um novo sentido. Os ready-made são objetos industrializados que, retirados de seu contexto cotidiano e utilitário, transformam-se em obras de arte – chegam ao nosso cotidiano na medida em que desconhecemos a origem das coisas.”

Saiba mais

Exposição projeto Eflúvia

Visitas: até 21 de março

Local: Sala Freya Gross (Rua XV de Novembro, 161, Centro, segundo andar da SMC)

Entrada: gratuita

Classificação: livre

Obrigatório o comprovante de vacinação ou teste negativo para Covid-19

Projeto viabilizado por meio da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc (Lei nº 14.017/2020)

Assessor de Comunicação: Sérgio Antonello 

postada em 14/03/2022 17:40 – 11 visualizações

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