Especialista fala sobre contribuição da bioestatística em saúde pública


Os dados da saúde pública sobre o câncer de próstata foram tema de palestra do matemático e bioestatístico Marcos Medeiros durante a reunião da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, nesta quarta-feira (15). O especialista discorreu sobre a importância da coleta e análise de dados para a elaboração de políticas públicas e o enfrentamento de enfermidades, bem como relatou avanços em bioestatística que estão possibilitando o surgimento de exames menos invasivos e de maior confiabilidade para o diagnóstico do câncer de próstata.

A bioestatística pode ajudar a determinar os investimentos necessários para o controle de cada enfermidade, de acordo com o palestrante. “Às vezes um procedimento custoso pode levar à economia de vários outros procedimentos”, exemplificou. A elaboração de um estudo técnico, feito por equipe multidisciplinar, é importante para a tomada de decisões em saúde pública.

Conforme números do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apresentados pelo palestrante, o Brasil registra mais de 65,8 mil novos caso de câncer de próstata e 16 mil óbitos em decorrência da doença por ano. Esse é o segundo tipo de câncer com maior incidência entre os homens (atrás apenas do câncer de pele do tipo não melanoma), predominante na faixa etária acima de 55 anos. “Tem muita incidência, mas taxa de sobrevida muito boa quando tratado”, frisou Medeiros, lembrando que o mês de novembro é dedicado à prevenção do câncer de próstata (Novembro Azul).

Marcos Medeiros explicou que entre os exames atualmente disponíveis no sistema público de saúde, o principal deles é Antígeno Prostático Específico (PSA) para câncer de próstata, um indicador que não é confiável sozinho. “O PSA exige a comprovação por biópsia, que além de cara representa muito risco.” A boa notícia é que os avanços em bioestatística estão melhorando a qualidade dos exames menos invasivos, proporcionando índices de confiabilidade semelhantes ao da biópsia. “É uma mudança de paradigma”, destacou o especialista em dados de saúde.

Existem dois exames de confiabilidade alta que, no entanto, ainda não cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Um deles é o Índice de Saúde Prostática (PHI), que emprega um índice matemático baseado em fórmula de regressão (probabilidade). Trata-se de um exame de sangue com custo ainda elevado, em torno de R$ 700. “Ele pode substituir em breve exames mais invasivos”, projetou Medeiros. O outro exame citado por ele ainda não chegou ao Brasil. É chamado de 4KScore e utiliza quatro biomarcadores, combinados com questionários, que reduzem em até 65% a necessidade de biópsia.

O presidente da Comissão de Saúde, deputado Neodi Saretta (PT), destacou como muito positiva a possibilidade de se ter novos exames, menos invasivos e mais precisos, para o diagnóstico do câncer de próstata. “Isso mostra a importância da tecnologia, da estatística e dos avanços na medicina.” Ele acrescentou que a saúde precisa ter prioridade, o que nem sempre ocorre nos orçamentos públicos. “Seguimos lutando por mais recursos e por uma saúde de fato prioritária.”

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