“A EJA é a possibilidade concreta de diminuição da exclusão social”


Antoniel Gonçalves, hoje com 51 anos, passou por diversas dificuldades na sua infância. De menino que abandou a escola na antiga sétima série do ensino fundamental, fez a Educação de Jovens, Adultos e Idosos, entrou no ensino superior e foi parar numa universidade da Europa. Ele é professor da rede municipal de ensino de Florianópolis.

A 820 quilômetros de Florianópolis, em Bagé, Rio Grande do Sul, morava Antoniel Gonçalves com a mãe e avós maternos e irmãos. Aos 13 anos de idade, decidiu não ir mais para a escola. O tempo ia passando, antigos colegas dele do ensino fundamental ingressavam  nos mais variados cursos do ensino superior. “Percebi que o meu único caminho para meintegrar socialmente,era realmente dar continuidade aos meus estudos”.

Pela EJA, aos 20 anos de idade finalizou o ensino fundamental na cidade de Pelotas, a 180 quilômetros de Bagé. Em sua terra natal, depois de um intervalo de três anos, concluiu o ensino médio, também por intermédio da Educação de Jovens, Adultos e Idosos, aos 25 anos de idade.

Ficou empolgado. Começou a cursar Licenciatura em Matemática na Universidade da Região da Campanha (Urcamp), uma instituição particular. No entanto, por questões financeiras, teve que adiar o sonho de se formar no ensino superior. Não conseguia bancar a mensalidade.

Em 2013 veio para a capital catarinense. Após processo seletivo de ingresso e reingresso, em 2015, aos 45 anos de idade, ingressou na Universidade Federal de Santa Catarina no curso de Graduação e Licenciatura em Pedagogia. Aos 49 anos concluiu a graduação.

Fez especialização Educação Especial e Inclusiva, Neuropsicopedagogia e Supervisão Escolar.

Em 2020, virou profissional da rede municipal de ensino de Florianópolis. Atualmente é professor auxiliar de Educação Especial no Núcleo de Educação Infantil Coqueiros.

Para Antoniel, a EJA é a possibilidade concreta de diminuição da exclusão social, é uma real condição de diminuição do sofrimento das pessoas que em algum momento de sua existência tiveram que interromper seus estudos ou sequer começaram a sua escolarização.

 “A EJA é vida, é esperança de um mundo melhor, é um espaço de realização de sonhos”.

Conforme o secretário municipal de Educação de Florianópolis, Maurício Fernandes Pereira, todos devem ter a chance de seguir em frente na busca de mais conhecimentos, elevando o seu nível de escolaridade e de cidadão. “A EJA abre as portas para esse mundo”.

Pela Prefeitura da Capital, a EJA conta com mais de 2.000 pessoas matriculadas atualmente. Tem o direito de cursar a modalidade todas as pessoas a partir de 15 anos que desejam se alfabetizar ou completar o ensino fundamental. Está presente em 29 localidades espalhadas pela Ilha e Continente.

DISSERTAÇÃO NA EUROPA

Antoniel Gonçalves queria mais. Em 2020 concorreu a uma das 30 vagas para Mestrado em Educação pela Universidade de Lisboa, em Portugal. Ficou em 14º lugar. A previsão é que defenda a dissertação em outubro de 2022.

O objetivo do trabalho dele é conhecer os níveis de utilização das tecnologias digitais nas práticas profissionais no âmbito da gestão escolar das unidades educacionais do ensino fundamental da rede municipal de Florianópolis. Ele está entrevistando supervisores e diretores escolares.  

Depois do mestrado quer seguir rumo ao doutorado.

Antoniel é casado com Daniela, que está concluindo doutorado na UFSC. São os pais de Arthur, 19 anos, que cursa Sistemas da Informação no Centro Universitário Estácio SC, e de João Eduardo, 9 anos, estudante da Escola Básica Municipal Almirante Carvalhal. 

MAIS UM CAPÍTULO: AGORA DE UM LIVRO

 

Antoniel teve a oportunidade de escrever um capitulo de um livro. A obra trata sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), com a contribuição de 26 especialistas e pesquisadores desta temática.

O livro “Autismo: um mundo singular” será lançado ao final do primeiro semestre de 2022 e terá circulação no Brasil, Europa, Estados Unidos e Japão. O capítulo escrito por Antoniel tem como tema o autismo e a inclusão escolar.

A perspectiva apresentada no capítulo se orienta a partir de pesquisas e práticas docentes focadas no acompanhamento de crianças autistas no âmbito da escola pública.

“Outro grande sonho que a educação me permitiu realizar foi ter recebido a oportunidade de escrever um capitulo deste livro. Certamente é uma leitura que recomendo para toda a comunidade escolar e os que estejam envolvidos no processo de inclusão dos alunos com TEA”, comenta o professor orgulhoso.

galeria de imagens


Comente com o Facebook