Dia do Servidor Público: uma data de muitos significados


Conversar com servidores da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina sobre o Dia do Servidor Público é ter a certeza de que a data tem muitos significados para a categoria. Do orgulho pelo trabalho prestado à sociedade à realização pessoal, da gratidão à luta pelo reconhecimento e respeito aos direitos adquiridos, todos veem no dia 28 de outubro um momento com múltiplos significados, lembranças do passado e certezas sobre o futuro.

Para o presidente do Sindicato dos Servidores da Alesc (Sindalesc), Alexandre Mello, o servidor público é sinônimo de sociedade democrática que tem serviços à sua disposição. “E a pandemia demonstrou isso claramente. A ausência dos serviços públicos certamente provoca um cataclisma na sociedade. Mas graças aos serviços, leis foram cumpridas e tudo o que foi criado na legislação durante o período, deve muito à ação dos servidores públicos”, assegura.

Mello cita como exemplo a interrupção das aulas por causa da pandemia, quando muitas pessoas precisaram parar de trabalhar para cuidar dos filhos ou precisaram se dividir entre dar atenção a eles e ainda manter o trabalho virtual. “Claramente, sem o servidor público, 90% da população não teria nenhum tipo de serviço. A ideia de que o serviço público é caro, é uma inverdade. Há muitas pesquisas nacionais e internacionais provando que o nosso serviço público do Brasil tem qualidade”, comenta.

O dirigente sindical avalia que celebrar o dia 28 não é só pelos servidores, mas pelo serviço público. “Sem ele, tudo seria privado. Não sei se seria tão melhor quanto se imagina, pois o acesso a esses serviços seria muito caro”, cita. O presidente do Sindalesc lamenta que os direitos da categoria “estão sendo muito atacados” nos últimos tempos. “Mas, certamente precisamos enquanto trabalhadores nos conscientizar sobre nossa importância e relevância”, destaca.

Transparência
O jornalista Rubens Vargas começou a trabalhar na Alesc aos 18 anos, quando mudou para Florianópolis, onde foi estudar na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Em janeiro de 2022 ele completa 40 anos no Parlamento. “Na minha família tenho exemplos de pessoas que se dedicaram ao serviço público. Minha avó foi professora em Camboriú por 40 anos e o meu irmão trabalha há 30 anos como médico, em Itajaí”, conta.

Para ele, ser servidor público é saber as necessidades da população. “Com o passar do tempo a gente vai descobrindo e aprimorando. Vai descobrindo como se comunicar com a população. É muito importante saber quais são as reais necessidades, o que a população quer saber do funcionário público. É interessante como a gente pode preencher essa lacuna, sobre como mostrar o papel do Parlamento”, ressalta.

Vargas destaca em sua trajetória a criação da Constituição Estadual pela Alesc, em 1989. “Foi uma época muito rica, de muitas transformações. Acompanhei tudo, comecei a entender o mecanismo do Estado, a importância do Parlamento na democracia, dos debates, nas negociações com o governo do Estado para resolver os vários problemas de saúde, educação, moradia, energia, meio-ambiente”, recorda.

Chefe da redação da Agência de Notícias da Assembleia (Agência AL), ele cita a função da equipe de profissionais com os quais trabalha como um exemplo da relevância do servidor público. “Edito os textos produzidos pelos repórteres da Agência. Revisamos e publicamos as matérias que diariamente mostram tudo o que acontece no Parlamento”, explica. As informações ficam disponíveis na internet para qualquer cidadão e são reproduzidas pela imprensa de todo o estado, dando transparência ao que os parlamentares e os próprios servidores públicos fazem por Santa Catarina.

Segundo Vargas, é um papel muito importante, pois os trabalhos legislativos precisam chegar em todos os pontos do Estado. De acordo com ele, em um momento em que se fala muito – “e de modo injusto” – dos servidores públicos, é bom ressaltar que a Alesc tem um papel muito importante e os servidores também são agentes dessa missão.

Atender ao público
Patrícia Schneider Amorim, que também atua na Agência de Notícias, afirma que ser servidor público é ter um espírito de missão. “A gente está aqui para atender o público. No nosso caso é de levar o Parlamento aos catarinenses, além de dar uma retaguarda para os parlamentares. Pois, sem o serviço técnico dos servidores, não há projetos, não há tramitação deles, não há audiências públicas”, avalia.

Na visão dela, o servidor precisa entender o seu papel de trabalhar e tratar os catarinenses com respeito do mesmo modo que a própria categoria é consumidora do serviço público. “É importante celebrar essa dada com bastante gratidão, sabendo que sempre é uma via de mão dupla. A gente oferece nosso serviço e é recompensado tendo um trabalho digno, o salário em dia, tendo a estrutura que o Estado fornece”, explica.

Muito a contribuir
Presidente da Associação dos Funcionários da Alesc (Afalesc) e técnico legislativo da Coordenadoria do Orçamento Estadual, Valter Damasco é servidor público há 40 anos, sempre trabalhando no Parlamento catarinense. “Fiz o curso ginasial, atual ensino médio, no extinto colégio Celso Ramos, ao lado da Alesc. Eu saia dali, olhava o prédio e não tinha nem ideia do que seria isso. Por coincidência, o destino me trouxe para trabalhar aqui”, recorda. “Me aperfeiçoei e até hoje não me vejo aposentado. Acho que tenho muito a contribuir para a Assembleia Legislativa”, comenta.

No passado havia muita dificuldade, os salários eram muito baixos, recorda. Mas os tempos mudaram e todos tiveram a oportunidade de evoluir, de se aperfeiçoar. “O papel do servidor é muito importante. Para tudo o que a sociedade precisa, lá está o servidor, se não as coisas não funcionam”, afirma Damasco. Na Assembleia Legislativa, ele cita o exemplo de um Projeto de Lei, que é criado por um parlamentar. “Mas é preciso passar pela Consultoria Jurídica, que é um setor técnico da Casa, pela redação, pelas comissões técnicas. Tudo isso é feito pelos servidores. Tanto no nível municipal, estadual ou federal, tudo passa pelo servidor público”, ensina.

Damasco faz questão de citar que a Alesc tem uma mão de obra qualificada. “É gente que está há 30, 40 anos se aperfeiçoando. Gente graduada, pós-graduada e até com doutorado”, defende. Para ele, um problema é o corte de direitos por parte dos governantes. “E muita gente diz que tudo o que acontece de errado no país, é culpa dos servidores”, lamenta. Mas, independente disso, defende, o servidor ganha para atender bem a sociedade, para dar informações corretas, procurando resolver as situações. “A sociedade espera sempre o bom atendimento. Digo sempre aos meus colegas que temos que tratar com educação e respeito, atendendo da melhor maneira possível. Graças a Deus, sou uma pessoa realizada, feliz. Criei minha família sendo servidor público, me aperfeiçoei. Tudo o que eu posso oferecer foi dentro daquilo que conquistei. O que eu puder fazer de mulher para o serviço público, eu faço. Sou muito feliz, me realizei pessoal e profissionalmente. Temos que celebrar essa data com muita alegria. É um dia especial”, conclui.

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