Joinville recebe atletas de 14 estados para o Campeonato Brasileiro Masculino de Bocha Paralímpica


Entrar no Centro de Treinamento Ivo Varela, que até o dia 31/10 sedia o Campeonato Brasileiro Masculino de Bocha Paralímpica, é deparar-se com muita superação. São 87 atletas (seis deles competiram nas Paralimpíadas de Tóquio) e 36 equipes de 14 estados brasileiros. A dedicação impressiona e emociona, já que cada um desses atletas carrega uma história de grande esforço e dedicação para praticar uma modalidade voltada para pessoas com deficiências.

O evento, que envolve quase 400 pessoas, é realizado pela Associação Nacional de Desporto para Deficientes (ANDE), com apoio da Secretaria de Esportes (Sesporte) da Prefeitura de Joinville. “É muito bacana para gente poder receber eventos de nível nacional e internacional, porque é uma retomada. E Joinville tem uma tradição muito forte no paradesporto”, explica o secretário de Esportes, André Mattos.

O vice-presidente da ANDE, Erinaldo Batista das Chagas, diz que a retomada dos eventos esportivos é importante para que o esporte continue a inspirar e moldar trajetórias de vida. “O principal é chegar naquela pessoa com deficiência que vê os jogos acontecendo por aí e acha que nunca vai poder participar. Quando a gente traz para um local como esse, ele se enxerga, ele se vê, e obviamente se esforçará para fazer parte”, afirma Erinaldo.

É justamente o fator inspirador uma das grandes motivações do paratleta Eliseu dos Santos, 44, que já competiu em quatro Paralimpíadas – incluindo a de Tóquio. O curitibano de 44 anos começou a praticar a bocha em 2005, por recomendação de seu fisioterapeuta, construindo na modalidade uma bem-sucedida trajetória.

“Claro que é ótimo competir fora do país, mas os torneios nacionais são especiais. Eu uso minha história de exemplo. Se eu cheguei aqui, eles também podem chegar”, ensina Eliseu.

Uma das pessoas inspiradas por Eliseu foi seu próprio irmão, Marcelo, de 49 anos. O irmão mais velho também tem um vasto currículo de competições, com participações em duas Paralimpíadas (a do Rio de Janeiro e a de Tóquio).

Como Marcelo compete por Paranaguá e Eliseu por Curitiba, é comum os irmãos se enfrentarem, até em finais. “A família já fala: quem ganhar está bom”, brinca Marcelo.

Não são apenas veteranos que participam do Campeonato Brasileiro Masculino de Bocha Paralímpica. Diego Machado, de 29 anos, é um dos atletas de Joinville no torneio.

“É gratificante termos condições de sediar um evento tão importante, principalmente na nossa modalidade, voltada para pessoas com deficiências severas. E aqui a gente luta de igual para igual, sem diferença nenhuma”, pontua Diego, que compete na classe BC 1.

O outro integrante do CEPE/Termotécnica/Sesporte é Luiz Felipe Lemes da Costa (classe BC 3). Na manhã desta terça-feira (26), ele enfrentou o Uberlândia, vencendo o time mineiro por 9 a 2.

Comente com o Facebook