Hospital Municipal São José lidera captação de órgãos em Santa Catarina


Após uma trajetória de realizações, uma pessoa pode chegar ao fim de sua existência e ainda ser responsável por um último e grandioso ato de amor: salvar várias vidas. Essa é a dádiva da prática da doação de órgãos, cujo Dia Nacional é celebrado neste 27 de setembro.

O Hospital Municipal São José, da Prefeitura de Joinville, é o líder em Santa Catarina em captação de órgãos. Este ano, 17 doações foram efetivadas, resultando em 76 órgãos captados (um coração, um pulmão, dois pâncreas, dez fígados, 34 rins e 28 globos oculares).

Isso é fruto do trabalho da Comissão Hospitalar de Transplantes (CHT). É a CHT que conduz as entrevistas com os familiares de pacientes que tiveram morte encefálica, com potencial para serem doadores de órgãos. Segundo a coordenadora da CHT, Liliani Azevedo, o hospital é referência para pacientes com politrauma e AVC, que são os principais diagnósticos para que a pessoa possa chegar à morte cerebral.

“Desde o início dos testes para o diagnóstico de morte encefálica, a equipe do hospital começa a acolher as famílias e explicar claramente esses procedimentos. A família já começa então a processar a possibilidade de um desfecho de morte. Durante esse processo, que dura em média 12 horas ou mais, não se fala em doação de órgãos, o ente querido ainda está vivo. Mas o acolhimento da família e a clareza e seriedade do processo, fazem muita diferença”, esclarece a coordenadora da CHT.

No momento da entrevista com os familiares, Liliane percebe que a população está cada vez mais receptiva à ideia de doar os órgãos do ente querido.

“As pessoas têm chegado a nós, na hora da entrevista de doação de órgãos, já tendo pesquisado sobre o assunto, o que ajuda muito”, explica.

Um dos beneficiados pela doação de órgãos, em Joinville, é o advogado Volnei Burg, de 56 anos. Há dois anos, ele passou no Hospital São José por uma cirurgia de transplante de fígado.

“Existe uma expectativa familiar muito grande durante todo esse período que você está na fila. Eu tinha telefone na sala, puxei uma extensão para o quarto e meu celular, da esposa e do meu filho ficavam 24 horas ligados, esperando a ligação. Quando a médica me ligou, numa bela tarde de sol, dizendo que havia um doador, não tem nada que meça essa alegria”, recorda Volnei, que sofria de cirrose hepática, antes do transplante.

Além do renascimento que a cirurgia significou para Volnei, ele saiu do Hospital São José impressionado com a qualidade do tratamento e a prestatividade dos profissionais.

“Eu sempre tive acesso aos melhores hospitais privados. Depois que eu comecei a ser atendido pelo São José, não encontrei nada parecido em nenhum outro lugar”, elogia.

Volnei diz que não passa um dia sequer sem que ele sinta-se grato à família do doador de seu fígado pelo ato que tiveram. “Eles disseram sim. Sim para que um ente querido que você perdeu possa manter vivas outras oito pessoas”, emociona-se Volnei.

Banco de Olhos de Joinville

No Hospital Municipal São José, fica sediado o Banco de Olhos de Joinville. Criado em 29 de setembro de 1978, essa instituição filantrópica já garantiu a captação de mais de quatro mil córneas. Só este ano, foram 98 doações.

Maria Deodete, uma das coordenadoras do Banco de Olhos, informa que as córneas são captadas em todos os hospitais de Joinville. “Também recebemos notificações de hospitais de Jaraguá do Sul, São Bento do Sul, Rio Negrinho e Mafra”, explica a coordenadora.

Assim como a equipe da Comissão Hospitalar de Transplantes (CHT) do Hospital São José, Maria Deodete também percebe a maior receptividade por parte da população em relação à doação de órgãos.

“Sempre pergunto para as famílias de possíveis doadores de córneas: por que não deixar uma luz do teu ente querido para alguém?”, pontua Maria Deodete.

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