Prefeitura realiza roda de conversa sobre enfrentamento da violência contra a mulher


Uma das ações da Prefeitura de Joinville para o Agosto Lilás, de combate à violência contra as mulheres, foi a realização de uma roda de conversa que apontou caminhos para uma cidade mais igualitária. O bate-papo vai ser exibido pelo canal do Youtube da Prefeitura de Joinville, nesta sexta-feira (20), às 18h30.

A mediação do debate foi feita pela vice-prefeita de Joinville, Rejane Gambin. Participaram da conversa a secretária de Assistência Social, Fabiana Cardozo; a delegada regional de Polícia Civil, Tânia Harada; a vereadora Tânia Larson e a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Joinville, Simone do Nascimento Silva.

“Essa roda de conversa foi importante já que a violência contra a mulher está em todas as classes e idades. Ao seu lado pode ter alguma mulher que está sendo vítima de violência e que não tem coragem de denunciar porque tem vergonha, ou teme o julgamento dos outros”, afirma a vice-prefeita.

A delegada Tânia Harada reforçou que é necessário chamar atenção para a violência doméstica. “Tratamos desde a denúncia, até o apoio que essa mulher precisa após dar o primeiro passo. Nós também trabalhamos com o tema do empoderamento, que é fundamental para que a mulher possa deixar esse relacionamento abusivo”, explica a delegada.

Subnotificação e desistência das denúncias

De acordo com o levantamento da Tribunal de Justiça de Santa Catarina, no último ano, foram registrados 800 casos de violência contra a mulher na cidade. E esse número pode ser ainda maior. “Nós acreditamos que ainda há uma subnotificação, mas observamos que o número de denúncias, em nome próprio ou de terceiros, vem aumentando”, relata Harada.

O alto índice de desistência da mulher ao longo do processo, número que fica entre 70 e 80% dos casos, é um dos grandes problemas. No caso de lesão, a ação penal prossegue independentemente da vontade da vítima. Mas para crimes contra honra, injúria e ameaça, é necessário que a mulher manifeste interesse em dar continuidade à denúncia. Muitas desistem ou não comparecem nos atos do processo e, com isso, o procedimento acaba arquivado ou sem êxito.

Ao registrar o boletim de ocorrência, se a mulher entender que está em uma situação de risco, pode solicitar a medida protetiva na própria delegacia.

“É muito importante que a mulher entenda que ela deve pedir ajuda. Ninguém deve sofrer calada. Quando há um primeiro momento de agressão, um primeiro ensaio de grosseria, ela tem que se impor. A gente não tem que aceitar”, enfatiza a secretária de Assistência Social da Prefeitura de Joinville, Fabiana Cardozo.

Onde procurar ajuda

Além do telefone 180, ou das delegacias da Polícia Civil, a Prefeitura de Joinville também acolhe as mulheres vítimas de agressão. O atendimento é oferecido nos Centros de Referência em Assistência Social (CRAS), são nove em todo o município, ou ainda no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS).

E não é apenas a vítima que pode denunciar, outras pessoas podem ajudar inclusive anonimamente. “Quando identificada que há risco de morte, a mulher vai direto da delegacia para a Casa Abrigo Viva Rosa, que tem um endereço sigiloso e é mantida pela prefeitura. Lá, ela permanece com seus filhos durante todo o período que precisar. Na casa é feito um trabalho para que essa mulher consiga se recolocar no mercado de trabalho, para que ela dê conta sozinha da própria vida”, explica Fabiana.

Use a sua voz

A Prefeitura de Joinville lançou uma campanha que aborda os vários tipos de violência que a mulher pode sofrer. No vídeo para a TV, são homens que falam pelas mulheres. “Queremos fazer com que as pessoas se sintam incomodadas quando os homens tentam falar no lugar das mulheres”, observa o secretário de Comunicação de Joinville, Thiago Boeing.

Também foram produzidos cartazes que estão sendo entregues em escolas, unidades de saúde e outros órgãos públicos. O cartaz está disponível para quem quiser imprimir e divulgar a mensagem.

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