Programa Antonieta de Barros é destaque em revista científica europeia


Uma das principais ações da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina foi destaque da revista científica “Sinergias”, da Universidade do Porto, em Portugal. Promovida pelo Centro de Estudos Africanos da instituição de ensino europeia, a 12ª edição da publicação divulgou o artigo sobre o Programa Antonieta de Barros (PAB), que promove transformação social por meio da educação e do trabalho.

Escrito pelos servidores do Parlamento catarinense Laura Josani Andrade Correa, Jussie Sedrez Chaves e Aline Covolo Ravara, o artigo “Estágio, inclusão e transformação social como política antirracista” destaca os primeiros 15 anos do PAB. Criada em 2004, a iniciativa surgiu quando movimentos sociais instigaram a Alesc a criar uma política pública voltada aos jovens negros. O programa recebeu o nome de Antonieta de Barros, primeira deputada eleita em Santa Catarina, que era negra, professora e defensora da educação pública e gratuita, em uma época em que as mulheres não tinham espaço para se manifestar.

A oportunidade de submeter o artigo à revista, explica Laura, surgiu durante a pandemia. Muitas revistas internacionais abriram chamadas para artigos de diversos assuntos. “Aí descobri a que estava sendo feita pela universidade de Portugal. E esse tema de educação pela transformação social sempre interessou muito a mim, à Aline e ao Jussie”, contou.

Eles resolveram escrever sobre o PAB, que é um programa pioneiro no Brasil e que reúne estudantes em situação de vulnerabilidade social oferecendo estágio, oportunidade de experiência profissional e aliando a educação. Os autores optaram pelo tema por julgar que o programa precisa ser divulgado internacionalmente. O artigo passou a ser, também, uma forma de contar as origens da ação e de preservar a memória do PAB.

A Sinergias, explicou Laura, associou-se a três outras revistas europeias que têm os mesmos objetivos de produção do conhecimento sobre a Educação para o Desenvolvimento (ED) e a Educação para a Cidadania Global (ECG). Uniram-se à publicação portuguesa o “International Journal of Development Education and Global Learning”, do Instituto de Educação, no Reino Unido; o “Policy and Practice: A Development Education Review”, produzido pelo Centre For Global Education, organização não-governamental sediada em Belfast, na Irlanda; e o “Journal of International Research and Development Education”, da Universidade de Bamberg, na Alemanha.

As quatro publicações organizaram o dossiê do qual o artigo sobre o PAB faz parte, denominado “O contexto das políticas públicas e a área da educação para o desenvolvimento e para a cidadania global”. Além do texto dos servidores da Alesc, a publicação Sinergias ainda conta com artigos de pesquisadores da Espanha, Inglaterra e Portugal.

Além de fazer o programa ser conhecido no exterior, o artigo tem relevância por destacar a história da Antonieta de Barros. “Ela foi política, educadora, escritora e até hoje é precursora e pioneira”, afirmou Aline, fazendo alusão ao fato de nunca mais Santa Catarina ter eleito uma deputada negra. “E isso tudo em 1934. Se hoje é difícil, imagina ser mulher negra e periférica naquela época”, comentou.

Para Aline, além de tudo o que o PAB proporciona aos estudantes beneficiados, o programa mostra quem foi Antonieta de Barros. “Serve como espelho para eles na busca por espaço”, citou.

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